Opúsculo de um Vencido

domingo, 8 de agosto de 2010

Panaceia

Não sei se isto que digo é poesia,
Tampouco saberei se sou Poeta,
Se a minha abordagem é discreta,
É por não ter estilo e nem magia.

Trago de inspiração só a utopia
Do operário triste, que sem meta,
Espreme-se no trem e lá vegeta
Em prol de uma Paz vã e tardia.

Não sei bravos colegas de ofício,
Na fala realçar o que ora escrevo,
Não tenho nem um parco artifício

E cantar o Amor já não me atrevo...
Românticos?... Que mofem num hospício!...
Fornicarei até com quem não devo...

(Queiroz Filho)

sábado, 7 de agosto de 2010

Soneto Tergiversado

Nenhuma vida é isenta de percalços;
Nem sempre os anos são laboriosos;
Nem todos os amigos são bondosos
Nem todos os amores serão falsos;

Nenhum lábio terá só beijos salsos;
Nem só os infelizes são queixosos;
Os erros nunca são só desastrosos;
É livre arbítrio ir de pés descalços

Pela longa estrada onde há cardos,
Porém, a dor suportes de teus fardos,
Não ates a burrice à imprudência.

Preserves do silêncio, a integridade,
Que um dia ostentarás da Liberdade
O gozo mais sublime: -A consciência!

(Queiroz Filho)

Soneto Auspicioso

Bendita seja a água que me finda
A caricata sede de um momento,
E que tomba do céu pelo intento
De dar a rubra rosa esta cor linda!

E assaz bendita seja a sua vinda
Aos mares que aqui são o invento
Do criador de todo o firmamento
Que, ora, conta o que resta ainda

Das suas sacras obras nesta terra,
Mas só vendo penúria, dor e guerra,
Com sangue redentor nos purifica...

E tão-somente pede que o exalte;
E que a todos os seres nunca falte
A viva paz que o amor cá santifica...

(Queiroz Filho)

Adoração

Quão belas são as águas cristalinas
Dos amplos mares desse meu País,
Que se aliam ao verde das campinas,
Por sob o cauto céu duma tarde gris.

E faz com que eu peça sempre bis
A ti, formoso sol, que me alucinas!
Quando abatido atrás dessas colinas
Fitas saudoso os teus filhos hostis.

Que ingratos, infelizes e covardes,
Não sabem adorar-te pelas tardes,
Não sabem que só tu cá principias

A vida que é o reduto dos prazeres
E a morte que assombra todos os seres,
Quando a água, aos olhos, alumias...

( Queiroz Filho )

Tua Alma

Por mais que a certeza me torture,
E contristada a minha voz arqueje;
E que o teu beijo vago inda deseje;
E, eu, o teu mistério não mensure;

E aos teus formosos pés, ai rasteje;
E a inexprimível dor aqui perdure;
E o teu silêncio insano me censure;
E uma outra boca em Paz te beije;

Não chego a desvendar, ó, criatura!
Para deitar, enfim, noutros regaços,
Se isso foi um sonho ou só loucura.

Nem do Passado vejo os estilhaços,
Só sei que nestas trilhas de amargura,
Tua alma é a sombra de meus passos...

( Queiroz Filho ) 30/5/2010

A Uma Bela Triste

No vão de tuas pálpebras sombrias,
E, em meio ao teu olhar enigmático,
É onde prostro o meu anseio apático
De crer na insensatez das alegrias.

Supondo que macabras fantasias,
Dum solitário moço sorumbático,
Que desprezou o tal sorriso sádico
De seu destino atado às letargias

Recriariam mil sonhos defuntos,
E no caminho nos poriam juntos
Daquelas almas bem-aventuradas

Que ao êxtase Fantástico da vida,
Renascem como uma Fênix caída,
Para a unção das bestas expurgadas...

(Queiroz Filho) 13/2/2010 20:24:58

Historieta Tragicômica De João-Desventuroso

I

Lá à rua da amargura, escorraçado,
Bebendo da sarjeta, os excrementos,
Que um porco bem teria desprezado,
Outrora eu já o vi nesses tormentos.

Naquele vasto centro urbanizado,
Dormindo sob altos monumentos,
João-desventuroso, assim, chamado
Por quem ali ouvia seus lamentos.

Mendigo sem estudo, sonho, ou fé,
Escória pestilenta e desprezível,
Que sofre a rejeição do que não é...

Vivendo no limite do impossível,
Deitou-se ao chão da tal Praça da Sé,
E como um mero espectro invisível


II

Sonhara que era ele o Rei Pelé,
Ouvindo a torcida enlouquecida
Lá no Maracanã pleno de vida,
A cada drible seu gritando olé!

Na Copa de setenta dando até
Chapéu de carretilha e, em seguida
Marcando um golaço na partida,
Que o fez ser aplaudido bem de pé.

E tendo a esquadra zurra na final,
Repleto de otimismo, então, se vê
Perto do seu terceiro Mundial.

Podendo erguer a vã Julius Rimet,
Se não fosse um magriço cão boçal,
Lhe acordar se sabe lá p’ra quê!...

Da Covardia Omitida

Eu sou da vida o estúpido aprendiz,
Que dela não reteu nenhum sentido,
E disso eu me confesso um desvalido
Por nunca ter amado quem me quis...

E, assim, vou lastimando a cicatriz,
E o vergonhoso sono dos vencidos,
E os velhos erros sempre revividos,
Na corda bamba aonde por um triz

Cambaleante eu marcho desatento,
Levando o coração por hora escasso
De alguma sensação ou sentimento.

Ao menos se hoje o sonho é cansaço
A mágoa não é mais um vão lamento,
Pois dela, ao debochar, me satisfaço...


(Queiroz Filho)

soneto trágico

Içando a mão à fronte enegrecida,
De olhos quedos tombado ao nada;
Atendo a voz de mágoas embargada
Por sua Estrela assaz empedernida.

Está o infame Josino, ante a vida,
Que, adrede, aos danos seus sojugada,
Do derradeiro bem é excomungada,
Que abrandar pudera a infausta lida

Onde o labor exausto do lamento
Não cura a sua sombria e dura chaga,
E tampouco lhe acalma o momento

Que mesmo auspicioso não o afaga
De saber que esta vida é só tormento,
E que a Esp`rança é a ilusória saga...

(Queiroz Filho)

Iminência

Quando vires da morte, o precipício,
Tragar teus ínvios sonhos execrados
Por quem do céu lançou-te aos brados,
Dizendo que o rancor será teu vício

O inferno lhe será muito propício,
Para que co' estes seres desgraçados,
Às trevas e a clausura, costumados,
Vagues como Eremita ao suplício

Do insano berrador das profundezas
Que toca a tez do cão de mil cabeças,
Lá a rir-se das humanas avarezas

P'ra que do falso Éden tu te esqueças,
Pois a Virtude é mãe das vis tristezas,
Que à vida só nos traz honras avessas...

(Queiroz Filho)

Lirismo Condenado

Quero foder teu rabo, ferozmente,
Como o elegante potro em seu cio,
E, em teu corpo impudico e tão macio
Jorrar meu flébil gozo, eloqüente.

E ao sentires tal caralho quente,
Lá fustigando o teu porão sombrio,
Afagarás meu ombro ao desvario
De um gemido rouco e pungente...

E quando a outro homem ofertares,
O mesmo egrégio leito onde deitei,
Ventura, tu terás, bem aos milhares

Mas eu mais do que este serei Rei,
Ao vê-la enfadada e sem teus pares,
Banhar de pranto os lábios que beijei!...

(Queiroz Filho)

Soneto Ginecológico

O pau que fode a xota mesntruada
E nesta excreção samba e se bole,
Tal qual do acordeom, o gasto fole,
Que raia toda a longa madrugada.

Castiga, esmurrando esta coitada,
Que lhe deu luz e tão alegre prole,
Mas cá rogo ao Céu que a console:
Buceta não é só saco de pancada!

Inda que seja a surra consentida,
Existe a branda e velha ciririca
Para esquecer a rola intrometida!

Além do mais dará como canjica,
Em vez de sangue a tal merda fedida,
Pois só mesmo o cu acalma a pica!...

(Queiroz Filho) 15/7/2009 05h01min: 16

Soneto Cínico

Não posso e já disse que não faço...
A culpa é toda dela... Não fiz nada!...
Sei que esse romance foi fracasso,
Mas ela inda crê em conto de fada...

Que sofra essa vadia espevitada!...
Passei e se quiser outra vez passo...
Rameira, meretriz, excomungada!...
Fodi e fodi gostoso o seu cabaço!...

O que filho da puta?... A sua cadela?...
Deve estar chupando mais dez machos,
Ou só se masturbando co’a novela!...

A três?... É a vida têm altos e baixos...
Apara no alto a porra e nem se mela!...
Aquele cú suporta até dois cachos!...

(Queiroz Filho) 16/7/2009 04h44min: 50

Ao Desrespeito Coletivo

Vós, ó, Insanos bárbaros bizarros,
Que sois da vil erística, os dragões,
Às portas, espremidos, dos vagões,
Na exaurida Paz lançam escarros...

Engalfinhados qual raiz aos jarros
Lá ao ergast'lo colossal das aflições,
Já o sólio assaltam às lamentações,
Enquanto ao deleite de seus carros

Seguindo a galhofar com Satanás,
Da infame e oprobriosa condição,
Está, de vós, ó, Plebe, o capataz

A quem deveis com justa louvação,
Quão apeardes lá do trem do Brás
Mandá-lo pôr no rabo esta estação!...

(Queiroz Filho)

Parafraseando Maísa

Oh! Minha bela e áurea geração,
Que de tantos bastardos literários
Está caduca e cega em sua missão,
Lambendo o cú de vis adversários

Que ardilosos roubam-nos o pão
A nos deixar com cara de otários,
Ao ver o mensalão de mão em mão
Pairando lá em bolsos salafrários!...

E a juventude sussa e bem de boa,
Vai entoando um Funk pancadão
Enquanto nem Demônio ou garoa

Abalam a Wib louca do irmão,
Pois toda minisquência se esboroa,
Quando vem o domingo do Faustão!...

(Queiroz Filho)

Ao Mensalão

Se bosta no congresso fede a rodo,
Mais do que a caganeira da segunda,
E a História da Política se afunda
Sob um mar de porra, mijo e lodo,

Como bom Brasileiro eu me fodo
Risonho, a levar um pau na bunda
Do odioso autor da corja imunda,
Que deitou e rolou no País todo:

- Dirceu, o braço direito do Inácio,
Que se antes lhe fosse seu mindinho,
Bem logo, o perderia, fácil, fácil!...

Pois fez co' excelentíssimo carinho
De a podridão mostrar de seu palácio,
Dizendo:- Sou inocente... é mensalinho!...

(Queiroz Filho)

Gripe Suína

No México, a mortal gripe suína,
Atemoriza a pobre humanidade,
Pois de uma pandemia, a crueldade
A nós reles mortais cá se destina...

Enquanto a providência tão divina
Do céu, cagando vai a imunidade,
Para que seu fedor com Majestade
Sirva de cura a tal peste assassina...

Esperemos, então, que a alta graça,
Só não canse a Fé da humana raça,
Senão dirão que Deus é que é torto

E a sua benção é só uma fantasia,
Ou em suma é que já desta epidemia,
Esteja num caixão podre e morto!...

(Queiroz Filho)

Auto-destrato

Anão, cabeça chata, falso cético;
Consolador de putas e viados,
Vadio que só conta os feriados
E diz que o celibato é antiético...

Pobre infeliz!... Insano Epilético,
Descabaçou a prima dos dois lados,
Entrou na Catedral de pés atados,
Dizendo que Jesus era patético!...

Desbravador de orgíacas pelejas,
De Dionísio teve honroso estudo,
Idólatra das Musas mais sobejas,

Cá exaltando o néscio vício a tudo,
Já ébrio o rabo enfada de cervejas,
E sem um só amor, se diz cornudo!...

(Queiroz Filho)

O poeta do Saber

Exausto de gastar prata com puta;
Fadado a gemer, da Dor, o enfado;
Instigado a amar, não sendo amado,
Supôs de suicidar-se com cicuta!...

Michê bajulador de velha enxuta;
O macho que enrabou até viado;
Levando a vida sem um só trocado,
Acha que o ócio é a sua labuta!...

Guloso boqueteiro do Fracasso,
N'Arte da concordância é cabaço,
E diz que best-seller é auto-ajuda!...

Sentiu-se Vate, mas tomou balaço,
Viu o seu sonho partir negando abraço,
Quem do infeliz saber que o acuda!...

(Queiroz Filho)

Ela

Ela chupou sem dó a minha vara,
E eu, já me sentindo um Ricardão,
Meti-lhe três tabefes bem na cara,
Para passar mais pose de machão!

Desculpe, sei, é a sua profissão,
Mas essa mão é boba, não repara,
Adora dar gorjeta a um cafetão
Para esmurrar vadia só por tara!

Comigo já não cola a ladainha
De que há dignidade em sua vida,
E isso que você traz na calcinha

Mais do que uma fossa é fedida;
Das putas da Augusta, ‘cê é a minha
Numa lista de cem a mais fodida!

(Queiroz Filho)

Se um leva na cara e fica quieto

Se um leva na cara e fica quieto,
Merece é ser chamado de idiota;
Coward, euse, stultos, borra-bota...
O que menos importa é o dialeto!

Rebaixar-se ao grau de um inseto
É deixa para a mais cruel chacota,
Se a carapuça é certa, tome nota:
- Cagar nos é humano, até discreto

Na ida, se na volta nos limpamos,
Mas quem caga a atacado é imbecil,
Não vale nem o peido que soltamos.

Chamá-lo de dejeto lhe é elogio,
E ofensa à privada onde cagamos,
Então, que vá à puta que o pariu!

(Queiroz Filho)

Complexo de Geisy

Em uma faculdade repressora
Com trajes de lascívia elegância,
Entra a universitária promissora,
Dotada de pujante abundância.

E, logo, execrada sem instância
Pela falsa irmandade redentora,
Constata a lancinante ignorância,
Da tal gentalha lesa e ditadora

De Caralhos carentes de carinho,
Que da concupiscência camuflada
Aguça o putrefato ato mesquinho

Pois o motivo a tanta marmelada,
Não foi, decerto, o mero vestidinho,
Mas o desejo em vê-la ali currada!...

(Queiroz Filho)

Será?

Será que é mesmo falsa a antipatia
Que eu, Amor, por gozo, te dedico?
Pois se uma injúria tua, não replico,
É que não tens a mim uma só valia.

Quando ouço a tua voz sinto azia,
E até com as palavras me complico,
Não faças do ouvido meu, um pinico,
Ou morrerei de uma taquicardia!...

Não há a ti verdade mais suprema:
- Astúcia e culhões são pra quem tem!...
Não vales meio verso dum poema!

E se queres saber se este Desdém
É outra aleivosia, embora, extrema,
Perguntes para o Lúcifer no além!...

29/7/2010 Queiroz Filho: 23:47

Resposta a um amigo

Meu músculo cardíaco de baixo
Estala de paixão por outra preta,
Pois ela ostenta uma bela silhueta
A qual atiçaria qualquer macho.

Enquanto eu por ela me rebaixo
Propondo ser até o seu proxeneta,
Mas ela encafifou em sua veneta
Que nem me usaria pra despacho!

Não sou nem quero ser o tal galã
Do palco, da telinha ou passarela,
Me basto só em viver uma vida sã

Fazendo do vazio que me flagela
A Paz que me trará num Amanhã
Uma velhice inglória, mas singela.

( 5/8/2010 Queiroz Filho 02h20 )