Opúsculo de um Vencido

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Espera

Espero-te nos sonhos de ternura
Que cozo no silencio da saudade,
Enquanto a madrasta ansiedade
O meu peito devora com tortura.

Mas o Amor de simples criatura
Que rege a voz da fé e da verdade,
É o que me ofertará na Liberdade
Os lábios teus de mágica candura.

Pois nosso amor sadio se resume
Nas flóreas asas dessa alta canção,
Estremecendo a alma feito o lume

Ardente, que cerceia uma solidão
Sem cor, sem vida, forma e volume,
Mas que nunca nos sai do coração...

(laura Alves Coimbra)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Faz de Conta

Um dia me disseste envaidecida
Do nosso benfazejo faz de conta,
Dizias: - Como a vida nos apronta!...
Queria ser-te espelho nessa vida!...

E aqui com minha voz arrefecida
Pela ilusão que tanto nos afronta,
Te disse: - Menininha, és uma tonta
Em me dizer tal estória descabida!

Pois a minha imagem se sustenta
Na escuridão que ora a convalesce
De uma ânsia vil que só aumenta

A dor que o meu espírito embrutece
E quem de refleti-la, aqui se inventa,
Do amor dos infelizes, enlouquece...

13/05/11 ( Queiroz Filho )

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Deusa Morta

No coração de todas as Mulheres
Crepita algum mistério insondável,
Mas tu, pacóvio moço, não esperes
Vencer-lhe o régio fogo formidável

Pois ele jaz ao cofre impenetrável
Da mística opulência dos prazeres...
A todo o amor, inútil é tu sofreres
Se o etéreo bem é sonho fatigável!...

Acalma-te nos braços dessa Amante
Que a tua solidão sempre conforta,
E aos teus deslizes vive irrelevante

E nem de outros carinhos te aborta,
Que amar uma só mulher e ser constante,
É como que adorar uma Deusa morta...

(Queiroz Filho)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Paixão sagrada

Em uma dessas noites tenebrosas,
Repletas de mistérios assombrosos,
Os meus ouvidos muito pressurosos,
Fecharam-se às injúrias escabrosas

Daquelas pobres vidas lastimosas,
Que ante os desesperos venenosos
De seus dois corações impetuosos,
Calaram das razões mais invejosas

As perturbantes vozes renitentes,
E naquela insondável madrugada
O amor de suas almas indulgentes

Alçou-se como uma estrela alada
Ao céu dos almos seres penitentes,
Até tornar-se pó... Paixão sagrada...

(Queiroz Filho)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Lubricidade


Prostrados neste leito formidável,
Tomados de luxúrias inclementes,
Oferto-te os meus beijos ardentes
E este Desejo altivo e incansável...

Pois tu és o meu delírio inegável,
E a minha fome insana e insolente,
Ou toda a sensação inconsequente
Vivida em meu ciúme miserável...

E ao ver-te já exausta sobre a cama
Eu noto o teu olhar qu'inda me chama
Com trêmulos ardores incontidos...

E, eu, que ao teu carinho irrestrito
Sou chuva inabalável... Sou granito!...
Esparjo-me em teus seios incendidos...

( Queiroz Filho )