Opúsculo de um Vencido

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Inocência

Nas várias superfícies de tua alma
Reluz o brilho algente das estrelas,
E eu que aspiro tanto envolvê-las
Tão só para iludir-me dessa calma

Que no teu vago olhar ora cintila
já irradiando Luz nos movimentos,
Sem que a agonia fria dos conventos
Venha com seus agouros oprimi-la.

Eu invejo essa excêntrica alegria
Das Almas como a tua, inocentes,
Que não levam na boca a aleivosia

Dos desgraçados seres decadentes,
Que crêem que uma queixosa poesia
Pode despir-te em lágrimas ardentes...

(Queiroz Filho)

Instinto

Este choroso filho que me espera
No histérico atavismo embrionário,
É um bárbaro clamor involuntário
Que desta consciência se apodera.

Porém, suas mandíbulas de fera,
Não rasgarão um ventre solidário,
Pois me será só o astro imaginário
Lá a circundar a vasta atmosfera.

Nas ilusões austeras, instintivas,
Das homogenias formas primitivas
Que o Quântico mistério reproduz.

Num paralelo espaço insondável,
Jazendo ao calabouço impenetrável
Aonde as Almas cruas não têm luz!...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Receita Indigesta

Se queres o amor de uma mulher,
Antes de tudo, amigo, te aconselho:
Jamais a elogies frente ao espelho,
Pois ouvirás aquilo que não quer...

Aceites qualquer queixa que vier,
Repares se o seu salto é vermelho,
E só mintas que sonhas cum fedelho
Se em sua cama o teu sono couber...

A calma é teu guia na conquista
Da alvissareira Musa requestada,
Um vago olhar, eia! É uma pista

Que a guerra esta quase acabada,
Só restará dizer que és um golpista
E que na vida tu não vales nada!...

(Queiroz Filho