Opúsculo de um Vencido

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A minha própria Imagem

É só o teu olhar que me anistia
De todas as misérias do passado,
Por isso me fizeste condenado
A te querer bem mais a cada dia.

À noite minha alma se angustia
Da falta que me vejo malogrado,
Se agora estivesses ao meu lado,
Tal alegria em mim não caberia!

Recrio o teu sorriso na memória
E em mim te faço Sol e paisagem
P'ra juntos irmos nessa trajetória

Furtarmos do Amor, outra passagem,
Pois tu és meu céu, encanto, luz e glória,
Tu és, eu sei, a minha própria imagem!...

(Queiroz Filho)

terça-feira, 10 de julho de 2012

“Odara”

Em uma incauta noite de Natal,
Um velho atordoado se depara
Com aquela saudade - a mais cara!
O lenço que restou do funeral

Dum desmedido Amor celestial
Que fez seu mundo ai ficar “Odara”!
Até o dia em que Ela se chocara
Com uma ambulância de hospital.

Fatídica ironia! – o velho pensa.
Calando em si a antiga dor intensa,
Pois retraindo as lágrimas resiste

E geme em silêncio a sua mazela
Pois no atropelamento ao lado dela
No lenço ia escrito: O amor existe!...

(Queiroz Filho)