Opúsculo de um Vencido

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As coisas existem através de nós

As coisas existem através de nós:
Uma cama é uma cama, porque assim a chamo!
E porque todas as angústias minhas dormem sobre ela.
Amar-te, meu amor... Não, não te amo!
Amo a ideia que sobre o amor, concebo.
Amo mais o sonho de tocar tua pele
do que a verdade do ato de tocá-la.
Assim eu sou, assim serei, assim nos sinto!

A imaginação é tudo o que somos!
Enquanto puderes ir além das enganosas imagens
que os teus olhos criam,
Saibas, querida, que ainda és humana.
E que Deus só é triste em sua grandeza
Porque não terá ninguém pra chorar sua morte.
Ninguém que um dia lembre
Sob olhos embargados da maior verdade
Que um dia, meu Deus, foste meu Deus...

Q.F

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Casa

O mundo é um bêbado
Que já pouco sóbrio, ao sair de sua casa
Para beber mais,
Esquecera o percurso de volta.

Por isso, apenas vaga inutilmente,
Por entre as ruas ermas de sua psique.
Dando voltas nos quarteirões de sua memória
Sem poder mais
reconhecer a sua casa,
mesmo que esteja ao pé dela.

A casa onde fizera a sua vida;
A casa dos amores ressentidos;
A casa aonde amara os seus filhos!

Pobre bêbado sem pecado!
Um dia, em outro mundo,
sobre outra esfera,
Hás de voltar à ela!

(Queiroz Filho)

domingo, 6 de janeiro de 2013

Meus Trambolhos

O empoeirado Livro que me lê,
A alma do poema que me escreve;
A covardia audaz que me atreve;
A escuridão sombria que me vê;

A visceral ferida que me escorre;
O Arque - inimigo que ainda amo.
A vida que na morte me proclamo...
O Deus que amiúde sempre morre!

A lesma que até hoje me persegue;
As lágrimas que me choraram olhos;
O amor que o Diabo lhe carregue;

As sepultadas almas sem refolhos;
Oh! Pedro, Pedro, Pedro, não se negue!...
Eu sei - versos não são; talvez trambolhos!...

( Laura Alves Coimbra )