Opúsculo de um Vencido

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Talvez seja uma herança de vovó,
Sentir-se desse quarto, a prisioneira,
A vida é companhia e eu estou só!
Sozinha no silêncio e na poeira...

O amor tornou-se a reles baboseira,
Que hoje em desprezar, não tenho dó!
A mágoa é sempre bem mais verdadeira
Que uma paixão fadada a ser só pó...

E a única amiga que hoje eu tenho
É uma enfadonha traça que caminha
Na página que em mãos ora detenho.

Marchando entre letras de Caminha,
És lenta como a dor do grosso lenho
Da vida que ganhei, mas não é minha...


( Laura Alves Coimbra)

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