Opúsculo de um Vencido

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Paz

Procuro entre o silêncio absoluto,
Que em minha Alma vã interiorizo,
Silêncio que é quase o próprio luto
E junta às minhas lágrimas o riso

De resignação ao Mundo bruto,
Nem sei o que procuro, mas preciso!...
Procuro, pois não o vejo, mas o escuto,
Num brado delator em meu juízo...

Talvez seja a essência em mim perdida,
Talvez seja até mesmo a própria vida!
Que por meu erro vil só andou pra trás...

E é assaz ingênua em si essa cobiça
Que só em farturas mil se desperdiça...
Seu nome agora sei - Se chama Paz!

Queiroz Filho

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Soneto a mim mesma...

Que arrepiante febre te amortalha
Esplendida criança dos meus sonhos?!...
De quem herdaste estes olhos tristonhos,
Feridos em tua íntima batalha?...

Qual é o oculto medo que retalha
Os teus sorrisos fartos e bisonhos?...
Teus pobres pesadelos tão medonhos
Fizeram-te mais leve que uma palha?!...

Em qual longínquo número perdido
De teu embaralhado calendário
Tombou o teu Espírito esquecido?

Que homem traidor, que salafrário!
Negou o seu coração, ter prometido?...
Amar quem já se foi... Desnecessário?...

(Laura Alves Coimbra)

Sentido...

Nas inimagináveis vastidões
Do retumbante Cosmo criador,
Nós somos refratários embriões
Na busca dum sentido adulador...

Amamos nossos sórdidos vilões;
Chamamos de amigo, um traidor;
Ferimos os mais puros corações;
Mentimos piamente à nossa dor...

E após tantos tropeços previsíveis,
Sentimo-nos vãos seres invisíveis:
Sem rumo, amor, afeto, fé ou pão!...

Banhados de remorso estapafúrdio,
Provando o próprio vômito estúrdio,
Beijamos nosso Pai sobre o caixão...

(Queiroz Filho)