Opúsculo de um Vencido

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Soneto

Queria muito vê-la, mas não posso!
Há algo nessa casa que me prende,
Talvez algum alerta que transcende
A solidão que em versos cá endosso...

Uma ida té o portão, enfim, esboço.
Meus olhos vãos a luz do Sol ofende,
Recolho, então, de homem, meu destroço...
Só essa espessa treva me entende!...

Amar a Luz da aurora é fugir dela!
Pedir-lhe mil desculpas sucessivas,
Por lhe ofertar tão parca bagatela.

O inútil respirar das coisas vivas,
Meu ânimo de chumbo esfacela.
Na ponta duma agulha dançam ogivas!...

(Queiroz Filho)