Opúsculo de um Vencido

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Arcano Rei

Nas trevas teu olhar me ilumina:
Consolador farol sobre o meu cais;
Esmagador de Harpias colossais;
De ódios que o peito contamina.

Tu és a áurea Luz da minha Paz;
A epifania astral do Amor supremo;
A supraconsciência em grau extremo
E a redenção cabal de Satanás!...

Oh, aurora azul da Babilônia nova!
Desenterraste a minh’Alma da cova...
Por isso o teu pupilo, enfim, serei.

Em todo plano, espaço ou dimensão,
Só os veneráveis homens beijarão
Os teus sagrados pés, oh! Arcano Rei!...

Queiroz Filho

Sublimação

Quando em animalesco Gozo altivo,
Sobre teu corpo em fogo, os dentes, ranjo!
Iço-me aos Céus num voo imperativo,
Indo à batalha astral contra teu Anjo.

O Semideus do Sonho primitivo,
Que te furtou de mim com seu arranjo
De orquestral primor sublimativo,
Vindo de seu arguto e exato banjo.

Armei-me, aí, da Luz do olho de Hórus;
No Estige imunizei todos meus poros...
Na mais longínqua estrela, o aguardei:

Robusto, Esbelto, Audaz e poderoso.
Porém, quando o avistei... Fim tenebroso!...
Aos pés de Belphegor, lá me prostrei...