Opúsculo de um Vencido

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O teu Sorriso

O teu sorriso, Mãe, o teu sorriso!
É minha inebriante e farta aurora,
É tudo o que na vida mais preciso,
Por isso não o leve nunca embora!...

Não me faças da vida, o indeciso,
Ou um louco a gemer a toda hora!
Não vês o quanto à noite me devora
A solidão que em versos agonizo?

Perdoes, se aturdido eu exagero
Em te contar meu íntimo segredo,
Mas essa vã saudade não venero

Sequer, agasalhar-me ao duro medo
De que não seja sonho, oh não quero
Deixá-la já partir... Está tão cedo!...

(Queiroz Filho)

terça-feira, 3 de abril de 2012

Conselho

A Musa dos teus versos é sortuda
Por ter o teu Amor inda à distancia,
Gozando dessa autentica elegância,
Nublada pela mágoa mais aguda...

Decerto não é velha ou barriguda...
Perdoe-me, oh! Poeta a petulância,
Pois íntimos não fomos nem na infância,
Mas te sugiro um galho de arruda

Ou o velho e bom pezinho de coelho,
Que afasta encosto, inveja e timidez!...
E até Poetastro Sádico ou fedelho

Que ama o nu e cru bom Português!
Então, meu histrião, eu te aconselho:
Queres meu ódio? Digas de uma vez?!...